Tendências de compra na Black Friday no varejo: o que esperar do consumidor

A Black Friday 2026 é em 27 de novembro, e o varejo chega a ela com mais compradores, mais pedidos e o ticket do dia sob pressão. Veja o que esperar do consumidor, em que dado cada expectativa se apoia e o que muda na operação.

Fabiane Schroeder Publicado em: 23/08/2024 Atualizado em: 04/09/2026
16 min de leitura
Tendências de compra na Black Friday no varejo: o que esperar do consumidor

A Black Friday de 2026 cai em 27 de novembro, uma sexta-feira, com a Cyber Monday em 30 de novembro. O consumidor que vai chegar nela já está descrito pelos números que o mercado publicou: o e-commerce brasileiro fechou 2025 com R$ 235,5 bilhões, alta de 15,3%, e a projeção para 2026 é de R$ 259,8bilhões, com 97,06 milhões de compradores, cerca de 2,9 milhões a mais que no ano anterior, segundo a ABIACOM em levantamento publicado pela Central do Varejo.

Há uma tensão nesses números que define a data. No ano inteiro, a projeção é de o ticket médio subir 4,8%, para R$ 562,15. No dia da Black Friday de 2025, ele caiu 12,8%, enquanto os pedidos subiram 28%, segundo a Confi Neotrust (E-Commerce Brasil). O mercado recupera valor por compra ao longo do ano, e é justamente na Black Friday que a compressão se concentra.

A seguir, o que esperar do consumidor em 2026 e em que dado cada expectativa se apoia, de onde vem essa leitura nos últimos ciclos, e o que cada uma delas pede da sua operação.

O que esperar do consumidor na Black Friday 2026

Uma ressalva antes das expectativas: até o começo de setembro de 2026, nenhuma consultoria do setor havia divulgado projeção de faturamento específica para a Black Friday deste ano. Esses números costumam sair entre setembro e outubro. O que existe publicado é a projeção anual do e-commerce e o resultado fechado dos ciclos anteriores, e é sobre eles que a leitura abaixo se apoia.

O que esperar em 2026Em que dado publicado essa expectativa se apoia
Mais compradores e mais pedidosProjeção de 460,87 milhões de pedidos e 97,06 milhões de compradores no ano, contra 438,9 milhões e 94,2 milhões em 2025 (ABIACOM)
Ticket do dia sob pressão, mesmo com o ticket anual subindoTicket médio anual projetado em R$ 562,15, alta de 4,8%; ticket do dia da Black Friday de 2025 em R$ 553,60, queda de 12,8% (ABIACOM e Confi Neotrust)
Pix como meio de pagamento dominantePix com 42% do valor transacionado no e-commerce em 2025, à frente do cartão de crédito, com 40% (Worldpay, Global Payments Report 2026)
IA entrando na etapa de descobertaTráfego de plataformas de IA para sites de varejo em alta de 393% no 1º trimestre de 2026, com conversão 42% melhor que o orgânico não relacionado à marca (Adobe Analytics)
A data continua espalhada por novembroA janela da Black Friday respondeu por 24,6% do faturamento da Black November de 2024 (Confi.Neotrust)

O que fazer com cada uma dessas expectativas está consolidado na tabela do fim desta página, para as decisões aparecerem juntas e comparáveis.

Mais compradores, e cada um gastando menos no dia

A projeção da ABIACOM para 2026 é de crescimento de 10,3% no faturamento e de 5% no volume de pedidos, puxado por cerca de 2,9 milhões de novos compradores entrando no e-commerce.

O detalhe que importa para a Black Friday está no cruzamento com o comportamento da data. No ano, o ticket médio deve subir. No dia da Black Friday de 2025, ele caiu 12,8% enquanto os pedidos cresceram 28%. Traduzindo: a Black Friday é o ponto do calendário em que o consumidor compra mais vezes e gasta menos por compra.

Para a operação, isso significa uma conta diferente da que se faz no resto do ano. O custo de separar, embalar, enviar e atender é o mesmo por pedido, e o pedido vale menos. Campanha que responde a isso com mais desconto comprime a margem dos dois lados.

O Pix passou o cartão, e isso muda o que a oferta precisa dizer

Em 2025, o Pix respondeu por 42% do valor transacionado no e-commerce brasileiro e passou o cartão de crédito, que ficou com 40%, segundo o Global Payments Report 2026, da Worldpay, divulgado pelo Poder360. O mesmo relatório projeta o Pix chegando a 44% até 2030, com o cartão caindo para 34%.

A consequência prática é sobre a construção da oferta. Enquanto o cartão liderava, a variável de decisão era o parcelamento. Com o Pix na frente, a variável passa a ser o desconto à vista, que sai mais barato para o lojista e chega mais rápido ao caixa.

Na comunicação, isso muda a mensagem: o valor final no Pix vira informação de primeira linha, junto do preço, e não uma opção descoberta no checkout.

A IA entrou na etapa de descoberta

O tráfego de plataformas de IA para sites de varejo cresceu 393% no primeiro trimestre de 2026 sobre o mesmo período de 2025, segundo a Adobe Analytics, em levantamento reproduzido pelo Jornal Empresas & Negócios. Quem chega por esse caminho converte 42% melhor que o tráfego orgânico não relacionado à marca, permanece 48% mais tempo no site e vê 13% mais páginas.

A série é medida sobre o varejo on-line e a matéria não delimita o mercado, então o número vale como direção, não como medida do Brasil. A direção, porém, é clara: parte da comparação de produto que antes acontecia em cinco abas do navegador passou a acontecer dentro de um assistente.

Isso desloca uma parte do trabalho para fora do seu site. Se a informação de preço, prazo de entrega, política de troca e disponibilidade não estiver escrita de forma direta e legível, quem responde por você é outra fonte. É a mesma exigência que a página de produto sempre teve, agora cobrada por um leitor que não rola a página.

De onde vem essa leitura: os números dos últimos ciclos

O varejo brasileiro fecha a Black Friday com três indicadores que contam histórias diferentes: quanto entrou, quantos pedidos foram feitos e quanto cada pedido valeu. Nos dois últimos ciclos, eles se moveram em direções distintas.

Indicador (dia da Black Friday)20242025O que mudou
Faturamento do e-commerceR$ 4,26 bilhõesR$ 4,76 bilhões+11,2%
Volume de pedidosnão divulgado8,69 milhões+28% sobre 2024
Ticket médionão divulgadoR$ 553,60queda de 12,8%
Faturamento nas primeiras 12 horasnão divulgadoR$ 1,69 bilhãoconcentração no início do dia

*Fonte: Confi Neotrust, via E-Commerce Brasil. As células sem valor absoluto de 2024 correspondem a indicadores publicados pela fonte apenas como variação percentual.*

O crescimento de 11,2% no faturamento veio de volume, não de valor, e é essa a base da expectativa descrita acima: a operação precisa processar, embalar, enviar e atender muito mais transações para chegar ao mesmo lugar.

Nas categorias, o topo seguiu concentrado em bem durável de valor alto: TVs (R$ 443,2 milhões), smartphones (R$ 388,7 milhões) e geladeiras (R$ 273,2 milhões) lideraram o faturamento do dia. É o tipo de produto em que o desconto absoluto aparece mais para o consumidor, e onde a insegurança da compra também é maior, o que explica por que prazo e política de troca pesam tanto na conversão da data.

A Black Friday deixou de ser um dia e virou um mês

O maior erro de leitura da data é tratá-la como um evento de 24 horas. Os dados de mês inteiro mostram o contrário.

Na Black November de 2024, o e-commerce brasileiro faturou R$ 36,7 bilhões ao longo dos 30 dias, com 96,4 milhões de pedidos, segundo a Confi.Neotrust em levantamento publicado pelo E-Commerce Brasil. A janela da Black Friday, de 28 de novembro a 1º de dezembro, respondeu por R$ 13,15 bilhões, ou 24,6% do total do mês, e por 18,86% dos pedidos.

Ou seja: três quartos do que o varejo digital fatura em novembro acontecem fora do fim de semana da Black Friday. O consumidor antecipou a compra, e o varejo antecipou a oferta.

Isso muda duas coisas na prática. A primeira é o calendário: a campanha que começa na semana da data disputa atenção quando a decisão de boa parte da base já foi tomada. O desdobramento disso em janelas de preparação está em planejamento Black Friday. A segunda é a operação: sustentar trinta dias de demanda elevada é um problema diferente de aguentar um pico de 24 horas.

Como a personalização muda o resultado da campanha

A concentração de R$ 1,69 bilhão nas primeiras 12 horas de 2025 diz algo sobre o dispositivo: quem compra na madrugada e no começo da manhã está com o celular na mão, não sentado no computador do escritório.

  • Mobile commerce: A jornada começa e costuma terminar no smartphone, o que transforma peso de página, velocidade de checkout e número de campos do formulário em variável de conversão. Um checkout que exige oito campos em uma tela de 6 polegadas perde venda que a oferta já tinha ganhado.
  • Experiência multicanal: Compra on-line com retirada na loja e consulta de disponibilidade em tempo real deixaram de ser diferencial e viraram expectativa. O que sustenta as duas é a mesma coisa: estoque e histórico do cliente visíveis em um só lugar, para a loja física e para o digital.

Personalização e experiências de compra mais inteligentes

Com ticket médio em queda e volume em alta, a conta da campanha muda: cada envio precisa gerar mais pedidos para compensar o valor menor de cada um. É isso que torna a segmentação uma questão de margem, e não de sofisticação.

  • Recomendações baseadas em histórico: Usando dados de comportamento e histórico de compras, as empresas podem oferecer recomendações de produtos que realmente interessem ao consumidor. Na prática: quem comprou uma TV na Black Friday passada tem mais chance de responder a uma oferta de soundbar do que a uma oferta de outra TV.
  • Jornadas por perfil de cliente: Criar jornadas que se adaptem ao perfil de cada cliente, da primeira interação ao pós-venda, muda a régua inteira: quem já comprou não recebe a mesma mensagem de quem abandonou o carrinho, e quem abandonou o carrinho não recebe a mesma mensagem de quem nunca visitou.

Sustentabilidade e responsabilidade social na decisão de compra

Sustentabilidade e responsabilidade social influenciam a decisão de compra na Black Friday, e o efeito é assimétrico: raramente fecham uma venda sozinhas, mas frequentemente desempatam entre duas ofertas de preço parecido.

  • Produtos com certificação: Consumidores estão mais atentos ao impacto ambiental de suas compras. O ponto operacional é onde a informação aparece: certificação que só existe na página institucional não desempata nada. Ela precisa estar na página do produto, na comparação e na mensagem.
  • Ações de responsabilidade social: Empresas que se comprometem com causas sociais e demonstram impacto positivo na comunidade tendem a atrair consumidores mais engajados. Campanhas que ligam promoções da Black Friday a doações ou projetos sociais criam conexão com o público, desde que o valor e o destino da doação sejam informados. Compromisso sem número lê como marketing.

Por que a entrega decide a Black Friday do ano seguinte

Com 8,69 milhões de pedidos concentrados em um dia, a promessa de entrega vira o principal risco reputacional da data. E é onde o varejo brasileiro mais falha, visto que são fatores cada vez mais valorizados pelos consumidores.

  • Entrega no mesmo dia ou no dia seguinte: Oferecer opções de entrega rápida pode ser decisivo para fechar uma venda. O cuidado é prometer o prazo que a operação sustenta no pico, não o prazo que ela cumpre em um dia comum.
  • Devolução simples: As políticas de devolução também estão no centro das decisões de compra. Um processo de devolução simples e gratuito aumenta a confiança do consumidor, e o custo dele é menor que o de uma reclamação pública.

Falso desconto e reclamação: o atrito que a data acumula

A Black Friday brasileira carrega uma desconfiança histórica, e ela tem lastro. No monitoramento do Reclame Aqui durante a Black Friday de 2025, divulgado pela Agência Brasil, o ranking de queixas ficou assim:

Motivo da reclamaçãoParticipação
Problemas na entrega25,29%
Produto não recebido12,62%
Propaganda enganosa9,33%

Os três primeiros motivos somam quase metade das queixas e têm um traço em comum: são falhas de informação tanto quanto de operação. O cliente que sabe que o pedido atrasou reclama menos que o cliente que descobre sozinho.

O antídoto operacional é notificação automática em três momentos, confirmação, despacho e entrega, mais um canal de consulta de status que funcione sem fila. Isso não conserta um atraso, mas evita que ele vire reclamação pública e caso de SAC em dezembro.

O papel da IA e dos chatbots no pico de demanda

O volume de pedidos que cresce mais rápido que o faturamento tem uma consequência direta no atendimento: mais pedidos significam mais perguntas sobre pedidos. A automação entra aí, para absorver a parte repetitiva do contato.

  • Assistentes de compra: Além dos chatbots, assistentes mais completos sugerem produtos com base em preferências anteriores e ajudam na decisão, o que encurta a jornada de quem chegou sem saber exatamente o que quer.

O que fazer com essa leitura na sua operação

Cada número acima tem uma consequência prática. A tabela abaixo traduz a leitura em decisão:

O que o dado mostraO que fazer na operação
Pedidos crescem mais que o faturamentoDimensionar separação, embalagem e atendimento a partir do número de pedidos projetado
Ticket médio em quedaTrabalhar mecânica que sobe o valor do carrinho, como kit, combo e frete progressivo, em vez de desconto adicional
Quase um quarto do mês concentrado na janela da dataDistribuir a campanha ao longo de novembro e reservar capacidade de atendimento para o pico
R$ 1,69 bilhão nas primeiras 12 horasEscalar atendimento para madrugada e início da manhã, não só para o horário comercial
Entrega lidera as reclamaçõesAutomatizar notificação de confirmação, despacho e entrega, e abrir consulta de status sem fila
Categorias líderes concentradas em bem durávelPreparar a régua de pós-venda mais longa que a de itens de giro rápido
Pix à frente do cartão de créditoLevar o valor final no Pix para a primeira linha da oferta, junto do preço, e não deixá-lo para o checkout
Mais compradores entrando no e-commerceEscrever a comunicação supondo que parte da base compra on-line há pouco tempo: prazo, frete e política explicados, não subentendidos
IA na etapa de descobertaManter preço, prazo, política de troca e disponibilidade em texto direto e legível na página, porque parte da comparação acontece fora do seu site

As ações de campanha que executam essas decisões estão reunidas em 10 ações para impulsionar campanha Black Friday.

Perguntas frequentes sobre a Black Friday no varejo

O que esperar da Black Friday 2026 no varejo?

A data é 27 de novembro. Até o começo de setembro nenhuma consultoria havia publicado projeção de faturamento específica para ela, mas a projeção anual do e-commerce aponta a direção: R$ 259,8 bilhões em 2026, com 97,06 milhões de compradores, cerca de 2,9 milhões a mais que em 2025 (ABIACOM). O padrão da data soma a isso ticket médio sob pressão no dia, Pix à frente do cartão e parte da descoberta acontecendo dentro de assistentes de IA.

O ticket médio vai subir ou cair em 2026?

Depende do recorte. No ano inteiro, a projeção da ABIACOM é de alta de 4,8%, para R$ 562,15. No dia da Black Friday, o movimento tem sido o oposto: em 2025 o ticket médio caiu 12,8% enquanto os pedidos subiram 28%. É a data em que a compressão de valor por compra se concentra, o que faz da mecânica da oferta, e não da profundidade do desconto, a variável que protege a margem.

Quanto o varejo brasileiro fatura na Black Friday?

No dia da Black Friday de 2025, o e-commerce brasileiro faturou R$ 4,76 bilhões, alta de 11,2% sobre os R$ 4,26 bilhões do ano anterior, segundo a Confi Neotrust. O recorte de mês inteiro é bem maior: a Black November de 2024 movimentou R$ 36,7 bilhões, e a janela da Black Friday respondeu por 24,6% desse total. Olhar só para a sexta-feira subestima o tamanho real do período.

O ticket médio da Black Friday está caindo?

Sim. Em 2025, o ticket médio do dia foi de R$ 553,60, queda de 12,8% em relação ao ciclo anterior, enquanto o volume de pedidos cresceu 28%. O varejo vendeu para mais gente e faturou menos por venda. Para a operação, isso significa mais transações a processar, embalar, enviar e atender para chegar ao mesmo faturamento.

A Black Friday ainda vale a pena para o varejo?

Os números seguem crescendo: faturamento em alta de 11,2% no dia e volume de pedidos em alta de 28% em 2025. O que mudou é a margem de erro. Com ticket médio menor, o custo de aquisição, o custo de envio e o custo de atendimento por pedido pesam mais no resultado. A data continua valendo para quem consegue operar o volume sem repassar o atrito ao cliente.

O que os consumidores mais compram na Black Friday?

No dia da Black Friday de 2025, as três categorias de maior faturamento no e-commerce brasileiro foram TVs, com R$ 443,2 milhões, smartphones, com R$ 388,7 milhões, e geladeiras e refrigeradores, com R$ 273,2 milhões, segundo a Confi Neotrust. O topo segue concentrado em bem durável de valor alto, categoria em que o desconto absoluto é mais visível para o consumidor.

Qual a diferença entre Black Friday e Black November?

Black Friday é o dia, a última sexta-feira de novembro. Black November é o mês inteiro tratado como período promocional. A diferença é grande em volume: na Black November de 2024, o mês somou R$ 36,7 bilhões e a janela da Black Friday, de 28 de novembro a 1º de dezembro, respondeu por R$ 13,15 bilhões. Ou seja, cerca de três quartos do faturamento do mês acontecem fora dela.

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Escrito por
Fabiane Schroeder

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